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Poemas da Guarda

domingo, 11 de Outubro de 2009

Vontade de vitória de vencer

Pode ser que desta vez venha a ganhar
Rezarei que desta vez tenha mais sorte
Outra vez tropecei com vontade de vencer

Um poema, um segundo uma vitória
Inesperadamente um verso
Perversa ideia de vencer
Pede a Deus um perverso
Dom de glória

Vitória efémera até perder
Perda de vontade até ganhar
Parar com sede de vencer
Beber da verdade sem parar

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Sorriso que deslumbra o mundo no sonho

Sorriso que deslumbra o mundo
Negação em solidão
Na última oportunidade
Que deslumbra

Contemplar cortas fundo
Porto de coração
Dorme da liberdade
Que deslumbra

Percorre os mares voando
Com a palma na mão
Tempestade de verdade
Que deslumbra

Tropeça neste espaço profundo
Undoso em determinação
Contentamento de saudade
Que deslumbra

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Feio é especial

Se fosse mais bonito
Se fosse de revista
Fixas-te de frente
Sentes que me olhas

Fechas os olhos entre si
Fixo-me em ti
Fazes-te pequenita
Como se fosses de revista

Se fosse mais bonito
Se fosses mais vista
Se fosse mais listo
Olhas e suspiras

Foges com a lista
Fazes-te pequenita
Como se fosses de revista
Voltas a olhar

Trago teus olhos
Pago a olhar
Fazes-te pequenita
Despertas meu poder labial

Se fosse mais bonito
Se fosse de revista
Se fosse mais listo
Se fosse especial

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Estrela pigmeia

As montanhas são tão altas
E tão grandes os gigantes
Assusto-me e nem estremeço
Ao ver-me tão pequeno
E tão fácil de pisar
Medo não sinto

Vendo o negro e absurdo
Respeito e sigo por aqui
Grito-me aristo de terra
E a serra é tão alta
E tão grandes os gigantes
Que sendo tão pequenos

E tão fáceis de pisar
Reclamam de ninguém
Fazem do pior de mim
Tão pequenos são os gigantes
Tão grandes os pigmeus
Meus e teus

quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Punho fechado de partilha


Acordo de punho fechado
Cheio de perguntas sem resposta
Desconheço a razão da injustiça
Acredito no erro falhado

Acordo de punho fechado
Acredito na certeza errada
Da verdade imposta
Da mentira composta

Acordo de punho fechado
Com o fascínio do destino
Um dia sem final
Numa certeza de erro

Acordo de punho fechado
Acredito na incerteza incerta
Certamente erro de certeza
Conduzem o destino
Escrito num céu surdo


Um absurdo olha forte
Como um estranho
Espiral de derrota
Só a memória parece igual
Certeza não importa

Acordo de punhos fechados
Cheio de perguntas sem resposta
Desconheço a razão da justiça
Acredito no erro casual dos falhados

Durmo de punho encerrado

sábado, 6 de Junho de 2009

Para sempre

Um segundo para pensar
Um minuto para sonhar
Uma hora para acreditar
O resto da vida para amar

Para tuas mãos serem pétalas
De flores de lágrimas
Para que as lágrimas da saudade
Façam jardins de verdade

Para és defeito
Em direcção ao eternamente
Para proveito do realmente
Paracleto erva-da-muda

Paracronismo de conceito
Iniquidade sem ajuda
Com destino escrito no sempre
Pára sempre

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Desconhecida: Olhei sempre para ti indiferente

Por um sorriso teu
Toco o céu com a mão
Quanto mais velha é a vida
Mais perto estou de tudo perder
Liga a vencer mordendo a voz
Luta na vida sob condição
Perder tudo só a sós

Olhei sempre para ti diferente
Eras tão só uma desconhecida
E de repente és tudo para mim
Teu olhar contundente
Minha pena é teu valor
Sonhei com tua mão
Gigante em meu corpo sem pudor
Pequena no chão áspera em perdão
Lambido de ti amante
Figurante. Ditadora sem fim
Companheira aparecida
Amiga de sempre, companheira indulgente.

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